Sunzi e História (1) – Uma visão pragmática da guerra

Iniciamos nosso estudo de Sun Wu e da Arte da Guerra. Embora conflitos armados sejam um fenômeno universal, cada cultura valora-os de forma peculiar. A tradição chinesa distingue-se por não possuir uma literatura épica, o que tem a ver com sua visão pragmática da guerra. Embora reconheçam que a guerra é indesejável e danosa, o pensamento chinês não defende que é irracional, nem eliminável: a primeira sentença da Arte da Guerra diz que as questões militares são a maior preocupação de um feudo. Sunzi compreende a transformação sofrida pela guerra em seu tempo, pois, com a decadência da ordem política de Zhou e a crise do sistema de Ritos e Música, ele se concentra exclusivamente no problema prático de como vencer conflitos minimizando a perda de recursos.

Sunzi e História (2) – Guerra e a concepção chinesa da história I

Em sua obra, Sunzi ignora o papel dos Ritos de regularem a guerra, duvidando do poder das instituições de manterem a ordem. Isso contrasta com a noção de “Ciclos Dinásticos”, base da concepção chinesa da história, otimista e moralista, que toma o padrão de ordem nascida do caos como o seu leitmotiv. Nesta transmissão, analisamos a primeira das “Narrativas Fundamentais”, seção inicial dos Registros do Cronista, para discutimos a relação entre a guerra e a fundação de uma dinastia, tomando como exemplo a criação da primeira ordem política chinesa pelo Imperador Amarelo. Resta claro que há legitimação retroativa da guerra realizada contra a velha ordem e da submissão de todos pela força, pelo benefício que a dinastia traz em termos de estabilidade e boa governança.

Referências básicas:

Sima Qian (Dinastia Han). Registros do Cronista, rolo 1 “Narrativa Fundamental I: Os Cinco Di”

西汉司马迁著《史记》卷第一《五帝本纪第一》

Liu Zhiji (Dinastia Tang). Uma Discussão Abrangente da Historiografia, rolo 2 “item 4, Narrativas Fundamentais”; “item 6, Séries Biográficas”

唐刘知几著、清蒲启龙通释《史通通释》卷第二《本纪第四》、《列传第六》

Sunzi e História (3) – Guerra e a concepção chinesa da história II

Neste programa, continuamos a explorar a concepção chinesa de história, analisando a primeira “crise dinástica” da história da China, na transição entre as dinastias Xia e Shang. Sob Yu, a dinastia Xia estabeleceu o primeiro sistema administrativo dos “Nove Zhou” (demarcado por canais fluviais), uma capital relativamente estável, uma oligarquia “feudal” de “Zhuhou” e, sobretudo, a transmissão hereditária do trono. Também se firma o direito de intervenção extraterritorial do “Filho do Céu” através das “Expedições de Caça”. A crise se desenvolve pelo estranhamento e competição entre os reis de Xia e seus Zhuhou. O último rei, Jie, é descrito pela historiografia como particularmente “sem Virtude”. Tang, um descendente ilegítimo do Imperador Amarelo, conquista a obediência dos Zhuhou pela força e depõe um Jie enfraquecido.

Referências básicas:

Sima Qian (Dinastia Han). Registros do Cronista, rolo 1 “Narrativa Fundamental I: Os Cinco Di”

西汉司马迁著《史记》卷第一《五帝本纪第一》

Sima Qian (Dinastia Han). Registros do Cronista, rolo 2 “Narrativa Fundamental II: A dinastia Xia”

西汉司马迁著《史记》卷第二《夏本纪第二》

Sima Qian (Dinastia Han). Registros do Cronista, rolo 3 “Narrativa Fundamental III: A dinastia Yin (Shang)”

西汉司马迁著《史记》卷第一《殷本纪第三》

Sun Wu (Primavera e Outono), Cao Cao (Três Reinos Wei) e outros. Sunzi comentado pelos Onze Mestres, rolo final, “Capítulo 13, Sobre o uso de espiões”

春秋孙武、三国魏曹操等注《十一家註孫子》卷下《用間篇》

Sunzi e História (4) – Guerra e a concepção chinesa da história III

Desta vez enfocamos a segunda “crise dinástica” da história da China, entre as dinastias Shang e Zhou, também devida ao processo de desgaste nas relações entre corte real e oligarquia dos Zhuhou. Tang fundou Shang com base na superioridade militar, legitimada pelo sistema de cerimonial (Ritos e Música). Falecendo, seu grão-ministro Yi Yin atuou como regente, consolidando a sucessão. Contudo, mudanças sucessivas de capitais e a fraqueza da corte deram independência às oligarquias, que reclamavam das falhas morais e de etiqueta dos reis. Zhou, o último soberno de Shang, é um vilão proverbial da literatura chinesa. Conforme a narrativa padrão, Zhou alienou aos seus aliados, permitindo a ascensão do Conde do Oeste, cujo filho viria a criar uma nova ordem.

Referências básicas:

Sima Qian (Dinastia Han). Registros do Cronista, rolo 3 “Narrativa Fundamental III: A dinastia Yin (Shang)”

西汉司马迁著《史记》卷第三《殷本纪第三》

Clássico dos Documentos, rolo 8 “Documentos de Shang I, o Juramento de Tang”

《尚書正義》卷第八《湯誓商書第一》

Clássico dos Poemas, Parte III: os Cânticos Reais, rolo 20, “Cânticos de Shang III, Pássaro Negro”

《毛詩正義·頌》卷第二十《商頌玄鳥第三》

Sunzi e História (5) – Guerra e a concepção chinesa da história IV

Após tomar o poder de Shang, Zhou canonizou a noção de Mandato do Céu, que se constituiu na principal doutrina de legitimação chinesa. Todavia, na segunda metade dessa dinastia, a ideia de Mandato entraria em crise, sendo ignorada pela Arte da Guerra. Começamos a explicar por que isso ocorreu, elucidando primeiro como Zhou via o Mandato. Escolhemos três referências clássicas do início da dinastia para mostrar que o Mandato, concedido a um clã pelo Céu, era sacramentado por rituais religiosos e comprovado pela lidimidade moral do governante, ao mesmo tempo em que pragmaticamente se exigiam realizações políticas do mesmo. A guerra era tacitamente admitida como recurso excepcional, justificado pelo bem maior visado.

Referências básicas:

Clássico dos documentos, Documentos de Zhou, rolo 13, “Documento IX: A Proclamação Magna”

《尚书正义·周书》卷第十三《大诰第九》

Clássico dos poemas, Parte II: as Odes ortodoxas, rolo 16, “Odes Magnas, Dez odes do rei Wen, Ode I: Rei Wen”

《毛诗正义·大雅》卷第十六《文王之什·文王第一》

Clássico das mutações, Parte II do Clássico, 5º rolo, hexagrama 49, Ge (Mudança)

《周易正义·下经》卷第五《革卦第四十九》

Sunzi e História (6) – Guerra e a concepção chinesa da história V

No período da Primavera e Outono (771-403 a.C.), conflitos entre facções da casa real causam a transferência da capital para o Leste, diminuindo a relevância do Filho do Céu (rei de Zhou). Feudos geograficamente periféricos adquirem uma importância crescente, transformando a política e economia. Com Guan Zhong (725? – 645 a.C.), o país de Qi faz as primeiras reformas, fortalecendo o controle das regiões fora da capital. A sociedade militariza-se, com exércitos de uma escala sem precedentes. O duque Huan de Qi (685? – 643 a.C.) torna-se o primeiro “Ba” (hegemona), a quem o Filho do Céu reconhece o uso legítimo da força. Qi entra em crise e o título de “Ba” passa ao duque Wen de Jin (697? – 628 a.C.). Qi e Jin tinham interesse em preservar as instituições de Zhou.

 

Referências básicas:

Sima Qian (Dinastia Han). Registros do Cronista, rolo 4, “Narrativa Fundamental IV: A dinastia Zhou)”; rolo 32, “Clãs nobres II: O clã do grão-duque de Qi”; rolo 39, “Clãs nobres IX: a casa de Jin”; rolo 42, “Clãs nobres XII: a casa de Zheng”

西汉司马迁《史记》卷第四《本纪第四· 周》;卷第三十二《世家第二· 齐太公》;卷第三十九《世家第九· 晋》;卷第四十二《世家第十二· 郑》

Confúcio (comp.), Zuo Qiuming (coment.). O Comentário de Zuo ao Clássico da primavera e do outono, rolo 3 “Duque Yin”; rolo 6 “Duque Huan”; rolo 10, “Duque Zhuang”; rolo 12, “Duque Xi”; rolo 31, “Duque Zhao”.

春秋孔子、春秋左丘明《春秋左传正义》卷第三《隐公》;卷第六《桓公》;卷第十《庄公》;卷第十二《僖公》;卷第三十一《昭公》

Confúcio (comp.), Gongyang Gao (coment.) O Comentário de Gongyang ao Clássico da primavera e do outono, rolo 12, “Duque Xi”

春秋孔子、春秋公羊高《春秋公羊传正义》卷第十二《僖公》

Zuo Qiuming (atrib.), Narrativas dos países, rolo 6, “Narrativas de Qi I: Guan Zhong ensina ao duque Huan as técnicas para alcançar a hegemonia”; rolo 6, “Narrativas de Qi II: Guan Zhong auxilia o duque Huan a governar seu feudo”; rolo 16, “Narrativas de Zheng: Shibo fala sobre ascensão e declínio de Zhou ao duque Huan”.

春秋左丘明(传)《国语》卷第六《齐语·管仲对桓公以霸术》; 卷第六《齐语·管仲佐桓公为政》;卷第十六《郑语·史伯为桓公论兴衰》

Sunzi e História (7) – A era de Sunzi I

Descrevemos a ascensão de outra grande potência, o país de Chu, cuja base territorial ficava entre os rios Azul e Han, portanto, fora do núcleo da ordem de Zhou. Enfeudado como um baronato e isolado no Sul, Chu era considerado por Zhou um país bárbaro. Assumindo essa identidade, seus soberanos tornaram-se os primeiros a reclamarem o título de rei para si. Com recursos abundantes, Chu logo entrou na competição geopolítica, anexando vizinhos e submetendo países menores, mas centrais na ordem de Zhou. Chu transformou o conceito de hegemona, desmerecendo o Filho do Céu e se legitimando pela força. Embora o país de Song tentasse organizar um sistema de zonas de influência para Chu e Jin, Zhou progressivamente seguia princípios de Realpolitik.

 

 

Referências básicas:

Sima Qian (Dinastia Han). Registros do Cronista, rolo 4, “Narrativa Fundamental IV: A dinastia Zhou”; rolo 32, “Clãs nobres II: O clã do grão-duque de Qi”; rolo 39, “Clãs nobres IX: a casa de Jin”; rolo 40, “Clãs nobres X: a casa de Chu”

西汉司马迁《史记》卷第四《本纪第四· 周》;卷第三十二《世家第二· 齐太公》;卷第三十九《世家第九· 晋》;卷第四十《世家第十· 楚》

Confúcio (comp.), Zuo Qiuming (coment.). O Comentário de Zuo ao Clássico da primavera e do outono, rolo 6 “Duque Huan, 8º ano”; rolo 10, “Duque Zhuang, ano 28”; rolo 16, “Duque Xi, ano 28”; rolo 21, “Duque Xuan, 1º, 2º, 3º anos”; rolo 27, “Duque Cheng, anos 11 e 12”; rolo 38, “Duque Xiang, ano 27”.

春秋孔子、春秋左丘明《春秋左传正义》卷第六《桓公八年》;卷第十《莊公二十八年》;卷第十六《僖公二十八年》;第二十一《宣公元年》、《宣公二年》、《宣公三年》;卷第二十七《成公十一年》、《成公十二年》;卷第三十八《襄公二十七年》

Confúcio (comp.), Dai Sheng (ed.). O Registro dos Ritos, rolo 11, “capítulo 5: As instituições do rei”.

春秋孔子、西漢戴聖《禮記正義》卷第十一《王制第五》

Sunzi e História (8) – A era de Sunzi II

A ascensão do país de Chu criou um novo foco de competição geopolítica no Sul da China, beneficiando o surgimento de Wu como potência regional. Embora relacionado a Taibo, tio do rei Wen de Zhou, Wu era um feudo tão bárbaro quanto Chu. No entanto, conseguiu modernizar-se com ajuda de exilados de Chu e outras regiões. Destacamos o papel de três personagens (Wuchen, Ji Zha e Wu Zixu) para que, no intervalo de cem anos, Wu se tornasse a maior máquina militar de seu tempo. Sob o rei Helü, Wu ocupou a capital de Chu. Seu filho, Fuchai, quase se impôs às potências do Norte como um hegemona. Contudo, ao ignorar a ascensão de Yue, um forte rival na sua retaguarda, Wu desapareceu tão rápido como surgira.

 

Referências básicas:

Sima Qian (Dinastia Han). Registros do Cronista, rolo 4, “Narrativa Fundamental IV: A dinastia Zhou”; rolo 31, “Clãs nobres II O clã do grão-marquês de Wu”; rolo 39, “Clãs nobres IX: a casa de Jin”; rolo 40, “Clãs nobres X: a casa de Chu”; rolo 41, “Clãs nobres XI: a casa de Goujian, rei de Yue”; rolo 66, “Séries biográficas VI: Wu Zixu”

西汉司马迁《史记》卷第四《本纪第四· 周》;卷第三十一《世家第一·吴太伯》;卷第三十九《世家第九· 晋》;卷第四十《世家第十· 楚》;卷第四十一《世家第十一· 越王勾践》;卷第六十六《列传第六·伍子胥》;

Confúcio (comp.), Zuo Qiuming (coment.). O Comentário de Zuo ao Clássico da primavera e do outono, rolo 25 “Duque Cheng, 2º ano”; rolo 26, “Duque Cheng, 7º ano”; rolo 39, “Duque Xiang, ano 29”; rolo 54, “Duque Ding, 4º ano”.

春秋孔子、春秋左丘明《春秋左传正义》卷第二十五《成公二年》; 卷第二十六《成公七年》;卷第三十九《襄公二十九年》;卷第五十四《定公四年》

Zuo Qiuming (atrib.), Narrativas dos países, rolo 17, “Narrativas de Chu I: Cai Shengzi discute como os homens de talento de Chu terminaram servindo a Jin”.

春秋左丘明(传)《国语》卷第十七《楚语上·蔡声子论楚才晋用》

O homem e o livro (1) – Sunzi até o generalato

Narramos a biografia de Sunzi até ele ser aceito como general pelo rei Helü do país de Wu. Seus ancestrais deixaram o país de Chen para asilar-se em Qi, onde assumiram o sobrenome Tian e se tornaram um dos maiores clãs oligárquicos. Enquanto membro de um ramo cadete desse clã, o avô de Sunzi conquistou o direito de usar o sobrenome Sun. O sucesso de Sima Rangju, outro parente de Sunzi, recrudesceu os conflitos oligárquicos e alheou a casa ducal. Sunzi partiu de Qi nesse contexto, sendo recrutado por Wu Zixu e recomendado para o rei Helü. Em audiências com o rei, Sunzi convenceu-o de seu talento, discorrendo não só sobre questões militares, mas também sobre a situação política externa e problemas técnicos de governo.

 

Referências básicas:

Sima Qian (Dinastia Han Ocidental). Registros do Cronista, rolo 32, “Clãs nobres II: O clã do Grão-duque de Qi”; rolo 36, “Clãs nobres VI: as casas de Chen e de Qi”; rolo 46, “Clãs nobres XVI: o clã de Tian Wan”; rolo 64, “Séries biográficas IV: Sima Xiangju”; rolo 65, “Séries biográficas V: Mestre Sun e Wu Qi”; rolo 66, “Séries biográficas VI: Wu Zixu”

西汉司马迁《史记》卷第三十二《世家第二·齊太公世家》;卷第三十六《世家第六·陳杞世家》; 卷第四十六《世家第十六·田敬仲完世家》;卷第六十四《列傳第四·司馬穰苴》;卷第六十五《列傳第五·孫子吳起》;卷第六十六《列傳第六·伍子胥》

Confúcio (comp.), Zuo Qiuming (coment.). O Comentário de Zuo ao Clássico da primavera e do outono, rolo 48, “Duque Zhao, ano 19”; rolo 52, “Duque Zhao, ano 26”.

春秋孔子、春秋左丘明《春秋左传正义》卷第四十八《昭公十九年》;卷第五十二《昭公二十六年》;

Manuscritos de Yinque Shan: Varetas 154-161, “As Questões de Wu”; varetas 190-233, “Audiência com o rei de Wu”

《銀雀山漢墓竹簡·吳問 154-161》;《· 見吳王 190-233》

Zhao Ye (Dinastia Han Oriental). Anais da Primavera e do Outono dos países de Wu e Yue: “Capítulo III: O rei Liao dá ordens ao duque Guang, 5º ano”; “Capítulo III: O rei Liao dá ordens ao duque Guang, ano 13”; “Capítulo IV: Biografia autorizada de Helü, 3º ano”.

東漢趙曄《吳越春秋·王僚使公子光傳第三·五年》;《王僚使公子光傳第三·十三年》;《吳越春秋·闔閭內傳第四·三年》;

Du You (dinastia Tang). Investigação abrangente das instituições (Tongdian), rolo 4, “instituições econômicas IV: Tributos e corveias – parte um”; rolo 149, “instituições militares II: Regime militar”; rolo 152, “instituições militares V: Generais orgulhosos fracassam”; “instituições militares XII: Vitória ou derrota são decididas pelo terreno”; “instituições militares XII: Quando o próprio território é conquistado, perde-se a guerra”; “instituições militares XII: Ocupando-se um terreno perigoso”; “instituições militares XII: Não se ataca um terreno indefensável (mortal)”.

唐杜佑《通典》卷第四《食貨四·賦稅上》;卷第百四十九《兵二·兵制》;卷第百五十二《兵五·軍將驕敗》;卷第百五十九《兵十二·按地形知勝負》;卷第百五十九《兵十二·自戰其地則敗》;卷第百五十九《兵十二·據險隘》;卷第百五十九《兵十二·死地勿攻》;

Ouyang Xiu (dinastia Song Setentrional). Novo Livro de Tang, rolo 73, II parte, “37ª tabela, parte segunda: Genealogias dos grãos-ministros III, parte segunda”.

北宋歐陽修《新唐書》卷第七十三下《表第十三下·宰相世係三下》

O homem e o livro (2): Do generalato ao ostracismo

Tratamos do breve apogeu da carreira de Sunzi, que se estendeu de sua entrada na corte do rei Helü (512 a.C.), até poucos anos após a efêmera ocupação da capital do país de Chu (506 a.C). As guerras deste período ilustram os fundamentos da estratégia militar de Sunzi: manobrar terceiros para atingir os próprios objetivos; evitar conflitos de larga escala; utilizar táticas ortodoxas com grande mobilidade e ataques cirúrgicos. Enquanto membro da facção de Wu Zixu, o declínio de Sunzi também foi rápido. Com a subida ao trono de Fuchai, Wu Zixu perdeu a confiança do rei e terminou sendo forçado ao suicídio. Não sabemos quando e como Sunzi morreu, mas é provável que tenha sido implicado. Sua tumba situava-se perto da capital de Wu.

Referências básicas:

Confúcio (comp.) (Zhou Oriental), Zuo Qiuming (coment.) (Zhou Oriental). O Comentário de Zuo ao Clássico da primavera e do outono, rolo 53 “Duque Zhao, ano 30”; rolo 53, “Duque Zhao, ano 31”; rolo 54 “Duque Ding, 2º ano”; rolo 54 “Duque Ding, 3º ano”; rolo 54 “Duque Ding, 4º ano”; rolo 56 “Duque Ding, ano 14”.

春秋孔子、春秋左丘明《春秋左传正义》卷第五十三《昭公三十年》;卷第五十三《昭公三十一年》;卷第五十四《定公二年》;卷第五十四《定公三年》;卷第五十四《定公四年》;卷第五十六《定公十四年》;

Sima Qian (Han Ocidental). Registros do Cronista, rolo 5, “Narrativas fundamentais V: Qin”; rolo 31, “Clãs nobres I: o Grão-marquês de Wu”; rolo 32, “Clãs nobres II: o Grão-duque de Qi”; rolo 40, “Clãs nobres X: o clã nobre de Chu”; rolo 64, “Séries biográficas IV: Sima Xiangju”; rolo 65, “Séries biográficas V: Mestre Sun e Wu Qi”; rolo 66, “Séries biográficas VI: Wu Zixu”

西汉司马迁《史记》卷第五《本纪第五·秦》;卷第三十一 《世家第二·吴太伯》;卷第三十二《世家第二·齐太公世家》; 卷第四十《世家第十· 楚世家》;卷第六十五《列传第五·孙子吴起》;卷第六十六《列传第六·伍子胥》

Mo Di (Zhou Oriental). Livro do mestre Mo, rolo 5, “Contra as guerras ofensivas, parte dois”.

《墨子》卷第五《非攻中》

Lü Buwei (Zhou Oriental). Primavera e outono do Sr. Lü, rolo 8, “Texto fundamental do segundo mês do outono, texto 3: Jianxuan”

《吕氏春秋》卷第八《仲秋纪·简选第三》

Ban Gu (Han Oriental). Livro de Han, rolo 23, “Tratado III: Sobre decretos e punições”

《汉书》卷第二十三《志第三·刑法》

Zhao Ye (Han Oriental). Anais da Primavera e do Outono dos países de Wu e Yue: “Capítulo III: O rei Liao dá ordens ao duque Guang, 5º ano”; “Capítulo III: O rei Liao dá ordens ao duque Guang, ano 13”; “Capítulo IV: Biografia autorizada de Helü, 3º ano”.

东汉赵晔《吴越春秋·阖闾内传第四·九年》;《阖闾内传第四·十年》

Autor desconhecido (Han Oriental?). A extinção do país de Yue, rolo 2, “Crônica informal da extinção de Yue, texto 3: Lugares notáveis do país de Wu”.

《越绝书》卷第二《越绝外传记吴地传第三》

Ouyang Xiu (dinastia Song Setentrional). Novo Livro de Tang, rolo 73, II parte, “37ª tabela, parte segunda: Genealogias dos grãos-ministros III, parte segunda”.

北宋欧阳修《新唐书》卷第七十三下《表第十三下·宰相世系三下》

O homem e o livro (3): Sobre a Arte da Guerra e a “Escola” dos Pensadores Militares

A Arte da Guerra transmitida possui 13 capítulos, o formato referido por Sima Qian. Havia, contudo, outros textos atribuídos a Sunzi, fragmentos das quais podem ser lidos em manuscritos e outras obras. Esses textos apresentam gêneros e conteúdo diferentes dos que hoje lemos na Arte da Guerra. Nada obstante, os 13 capítulos parecem ter sido a parte principal dessa obra desde que começou a circular. Obras como as de Sunzi não eram vistas pelos chineses antigos como uma parte da literatura dos mestres, de modo que não havia uma escola dessa natureza. A situação começou a mudar com a consolidação das categorias bibliográficas, primeiro por motivos formais, depois por mudanças de ideologia imperial. De qualquer maneira, a Arte da Guerra de Sunzi sempre foi honrada como o principal texto de seu gênero.

 

Referências básicas:

Manuscritos de Yinque Shan: Varetas 154-161, “As Questões de Wu”

《银雀山汉墓竹简·吴问 154-161》

Sima Qian (Han Ocidental). Registros do Cronista, rolo 64, “Séries biográficas IV: Sima Xiangju”; rolo 65, “Séries biográficas V: Mestre Sun e Wu Qi”; rolo 130, “Séries biográficas LXX: Posfácio do Grande Cronista”

西汉司马迁《史记》卷第六十四《列传第四·司马穰苴》;卷第六十五《列传第五·孙子吴起》;卷第一百三十《列传第七十·太史公自序》

Ban Gu (Han Oriental). Livro de Han, rolo 23, “Tratado III: Sobre decretos e punições”; rolo 30, “Tratado X: Letras e artes”

东汉班固《汉书》卷第二十三《志第三·刑法》;卷第三十《志第十·艺文》

Dao Xuan (Tang). Uma ampliação da Antologia do Brilho Magno, rolo 3, “Retorno à correção, parte primeira de três, Prefácio aos Sete Arquivos de Ruan Xiaoxu”

唐道宣《广弘明集》卷第三《归正篇第一之三·梁阮孝绪七录序》

Wei Zheng (Tang). Livro de Sui, rolo 34, “Tratado XXIX: Clássicos e outros livros, parte III”

唐魏征《随书》卷第三十四《志第二十九·经籍三》

Li Fang (Song Setentrional). Compilação para referência imperial (Taiping Yulan), rolo 328, “Assuntos militares, parte 59, adivinhação com base na meteorologia”; rolo 357, “Assuntos militares, parte 88, adivinhação com base na meteorologia”

宋李昉《太平御览》卷第三百二十八《兵部五十九·占候》;卷第三百五十七《兵部八十八·占候》

Ji Yun (Qing). Um resumo do índice geral da biblioteca Todas as Obras dos Quatro Depósitos, rolo 91, “Prefácio geral à categoria dos mestres”; rolo 99, “Obras da escola dos pensadores militares”

清纪昀《四库全书总目提要》卷第九十一《子部总序》;卷第九十九《兵家类》

O homem e o livro (4): O soberano e o general

Discutimos a relação entre poder civil e poder militar segundo Sunzi. Na Arte da Guerra o tema é desenvolvido através das personagens “soberano” e “general”. Analisamos qual o destinatário dessa obra, concluindo que, enquanto Sunzi a utilizou para obter patrocínio real, o texto servira para formar generais em seu clã. A seguir, explicamos que, embora a Arte da Guerra refira ao soberano como autoridade suprema, ele perde o poder de ingerência depois de apontar seu general, permitido-o recrutar um exército e deixar os domínios reais. Sunzi critica o soberano que, carecendo de conhecimentos da situação, tenta submeter administrativamente os exércitos, interferir nas nomeações e tomar decisões operacionais. Percebem-se tensões nas entrelinhas, especialmente quando um general de talento conquista sucessos que despertem ambição ou inveja.

 

Referências básicas:

Sun Wu (Primavera e Outono); Cao Cao et alii (comentários). Livro de Sunzi comentado pelos Onze Mestres. Rolo superior, capítulos 1 e 3; rolo intermediário, capítulos 7 e 8; rolo inferior, capítulos 10 e 13.

春秋孫武著,曹操等註《十一家註孫子》卷上《计篇第一》;卷上《謀攻篇第三》;卷中《軍政篇第七》;卷中《九變篇第八》;卷下《地形第十》;卷下《用間篇第十三》

Tian Rangju (Primavera e Outono). Arte da Guerra do Comandante da Cavalaria, capítulo 2.

春秋田穰苴(傳)《司馬法·天子之義篇第二》

Wu Qi (Primavera e Outono). Livro do Mestre Wu. Rolo superior, capítulo 1.

春秋吳起(傳)《吳子》卷上《圖國篇第一》

Wei Liao (Reinos Combatentes, país de Wei). Livro do Mestre Weiliao. Rolo II, capítulo 8.

戰國魏尉繚(傳)《尉繚子》卷第二《武議篇第八》

Sima Qian (Han Ocidental). Registros do Cronista, rolo 64, “Séries biográficas IV: Sima Xiangju”; rolo 65, “Séries biográficas V: Mestre Sun e Wu Qi”;

西汉司马迁《史记》卷第六十四《列传第四·司马穰苴》;卷第六十五《列传第五·孙子吴起》

O homem e o livro (5): O comandante ideal

Discutimos o perfil do comandante ideal para Sunzi. O primeiro capítulo da Arte da Guerra retrata a organização de um plano de guerra pelo soberano e seu Estado-maior. Um dos fatores envolve a escolha de um general adequado. Para tanto, avaliam-se cinco virtudes: (1) Sabedoria, a capacidade de se adaptar a situações e de tomar decisões estratégicas. (2) Confiabilidade, normalmente vista como a inflexibilidade das punições e prêmios, que garante o respeito e obediência dos subordinados. Porém, talvez se refira à fidelidade do general ao soberano. (3) Humanidade, entendida como a atenção para as necessidades das tropas e como o respeito devido às populações de camponeses submetidas. (4) Coragem, que tem um sentido mais dúbio na China, interpretada como a capacidade do comandante coordenar, no plano coletivo, a disposição de seus subordinados a lutarem até as últimas consequências. (5) Severidade, associada ao rigor e sisudez que o general mostra para com seu exército.

 

Referências básicas:

Sun Wu (Primavera e Outono); Cao Cao et alii (comentários). Livro de Sunzi comentado pelos Onze Mestres. Rolo superior, capítulo 1; rolo intermediário, capítulo 7.

春秋孫武著,曹操等註《十一家註孫子》卷上《计篇第一》;卷中《軍政篇第七》

Confúcio (Primavera e Outono). Os Analectos, capítulo 8.10.

春秋 孔子及弟子《論語·泰伯第八》

Laozi (Primavera e Outono). Dao De Jing. Clássico da Virtude, capítulo 73.

春秋老子《道德經》卷下《德經·七十三章》

Mo Di (Primavera e Outono). Livro do Mestre Mo. Rolo 1, “Autocultivação”;

春秋墨翟《墨子》卷第一《修身篇第二》

Mêncio (Reinos Combatentes, país de Lu). Livro do Mestre Meng. Rolo II, capítulo 2.

戰國孟子《孟子》卷第二《梁惠王下第二》

O homem e o livro (6): Planejando a estratégia – “Cinco Cânones e Sete Avaliações”

Neste episódio, começamos mostrando que mesmo o mais exímio general pode prejudicar a estratégia, através dos comportamentos que Sunzi resume como “Cinco Perigos”. A seguir, descrevemos como o primeiro capítulo da Arte da Guerra retrata a organização de um plano de guerra pelo soberano e seu Estado-maior. Sun Wu estipula que isso deve ser feito em duas etapas. Primeiro, decide-se sobre os “Cinco Cânones”, os cinco fatores gerais da estratégia: “Dao” (qualidade da governança); “Céu” (condições meteorológicas e astrológicas); “Terra” (condições do terreno pareadas ao “Céu”); “General” (sobre que falamos no episódio anterior) e “Regulamentos” (as condições gerais de comando e treinamento). Em segundo lugar, Sunzi sugere as “Sete Avaliações”, um conjunto de cálculos que compara as vantagens das forças envolvidas, no que se refere a: “Dao”; “General”; “Céu e Terra”; “Regulamentos e Ordens”; “Armas e Efetivos”; “Treinamento”; “Disciplina”. Para Sunzi, a força que contabilizar maior número dentre as sete vencerá a guerra.

 

Referências básicas:

Sun Wu (Primavera e Outono); Cao Cao et alii (comentários). Livro de Sunzi comentado pelos Onze Mestres. Rolo superior, capítulo 1; rolo intermediário, capítulo 8.

春秋孫武著,曹操等註《十一家註孫子》卷上《計篇第一》;卷中《九變篇第八》

Sun Wu (Primavera e Outono). Livro de Sunzi manuscrito de Yinqueshan. Compilação inferior, capítulo “O Imperador Amarelo lança uma expedição punitiva contra o Imperador Vermelho”.

《銀雀山孫子兵法》下編《黃帝伐赤帝》

Xu Shen (Han Oriental). Discursando sobre Wen e Explicando Ideogramas, radicais Palavra e Bambu.

東漢 許慎《說文解字·言部》、《竹部》

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